Presença do USS Nimitz durante a Operação Southern Seas 2026 impõe restrições ao espaço aéreo fluminense e mobiliza segurança aeroportuária.
A silhueta da Baía de Guanabara sofrerá uma alteração drástica entre os dias 7 e 12 de maio com a chegada de um dos maiores símbolos do poderio bélico global: o porta-aviões nuclear USS Nimitz (CVN-68). A Força Aérea Brasileira (FAB), em caráter de urgência preventiva, emitiu um NOTAM (Aviso aos Aeronavegantes) para delimitar as operações no entorno da embarcação, que ancorará no Rio de Janeiro como parte fundamental da operação militar internacional "Southern Seas 2026". A medida técnica não é protocolar, mas sim uma necessidade de segurança operacional diante da magnitude da estrutura naval que passará a ocupar o espelho d'água fluminense, exigindo coordenação minuciosa entre as autoridades militares brasileiras e o Comando Sul dos Estados Unidos.
O ponto crítico levantado pelos especialistas de tráfego aéreo reside na geometria da embarcação. Com estruturas que ultrapassam os 70 metros de altura a partir da linha d'água, o USS Nimitz projeta um obstáculo físico significativo em uma das áreas de aproximação mais sensíveis do país. O Aeroporto Santos Dumont, conhecido por sua localização estratégica e pistas curtas, opera com vetores de pouso e decolagem que cruzam exatamente as áreas de fundeio da baía. Aeronaves de asa rotativa (helicópteros) e aviões comerciais de médio porte terão de observar as restrições de teto e distância lateral impostas pelo NOTAM para evitar qualquer risco de colisão com as antenas, torres de comando e a própria superestrutura da ilha do porta-aviões.
A operação "Southern Seas 2026" não possui apenas caráter logístico, mas carrega um forte componente de cooperação técnica e diplomática. O exercício prevê manobras conjuntas entre a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos, focando em interoperabilidade, busca e salvamento e defesa aérea. O USS Nimitz, movido por dois reatores nucleares e capaz de transportar mais de 90 aeronaves, funciona como uma base aérea móvel e soberana. Sua presença em águas brasileiras demanda uma logística de segurança de superfície que isola perímetros de navegação civil, impedindo a aproximação de embarcações não autorizadas enquanto o navio estiver estacionado na capital fluminense.
Historicamente, a visita de porta-aviões da classe Nimitz ao Brasil reforça os laços de defesa hemisférica, mas também gera impactos diretos no cotidiano urbano e econômico do Rio de Janeiro. Enquanto os entusiastas da aviação e defesa se preparam para registrar a passagem da embarcação, o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo (CRCEA-RJ) manterá vigilância redobrada. O contraditório logístico reside no equilíbrio entre a manutenção do fluxo comercial intenso do Santos Dumont e as exigências de segurança do governo norte-americano para seu ativo nuclear. A tendência é que, após a escala no Rio, o grupamento de combate siga para águas internacionais, onde os exercícios de alta intensidade serão realizados, deixando para trás um relatório detalhado sobre a viabilidade de grandes operações conjuntas no litoral sul-americano.
Por Jardel Cassimiro
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