Internacional

COI veta atletas trans de categorias femininas nas Olimpíadas 2028

Decisão histórica exige teste genético do gene SRY e alinha comitê às recentes pressões políticas nos Estados Unidos.O Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou na...

COI veta atletas trans de categorias femininas nas Olimpíadas 2028

COI veta atletas trans de categorias femininas nas Olimpíadas 2028 — SBS NEWS

Decisão histórica exige teste genético do gene SRY e alinha comitê às recentes pressões políticas nos Estados Unidos.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) determinou na última quinta-feira (26) que apenas mulheres biológicas poderão disputar provas na categoria feminina a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. A decisão histórica estabelece a obrigatoriedade de um teste de triagem genética para o gene SRY, associado ao cromossomo Y, banindo atletas transgênero e mulheres com Diferenças de Desenvolvimento Sexual (DDS) das disputas de elite. O anúncio altera drasticamente o panorama desportivo global, retirando a autonomia que as federações internacionais possuíam desde 2021 para legislar individualmente sobre o tema.

A medida ocorre após dezoito meses de revisões e estudos liderados pela presidente do COI, Kirsty Coventry, juntamente com um grupo de trabalho focado na proteção da categoria feminina. A decisão representa uma mudança de rota da entidade, que anteriormente priorizava diretrizes de inclusão e delegava as regras de elegibilidade para federações específicas, como a World Athletics e a FINA. A deliberação ganha forte peso político ao se alinhar à ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano Donald Trump em fevereiro de 2025, que proibia atletas trans em competições femininas nos Estados Unidos sob pena de corte de financiamentos federais a instituições que descumprissem a norma.

Para atestar a elegibilidade, o comitê implementará um exame único e vitalício baseado na detecção do gene SRY (Sex-determining Region Y). A coleta do material ocorrerá por meio de amostras de saliva, swab bucal ou sangue. O gene SRY atua como o principal gatilho biológico para o desenvolvimento das características sexuais masculinas durante a gestação. Segundo o COI, evidências médicas comprovam que a passagem pela puberdade masculina confere vantagens inalienáveis de força, potência, densidade óssea e capacidade cardiovascular. O documento oficial da entidade destaca que o benefício de desempenho masculino sobre o feminino varia de 10% a 12% em esportes de corrida e natação, ultrapassando a marca de 20% em provas de saltos e arremessos.

A obrigatoriedade do exame genético atinge imediatamente o futuro de competidoras de alto rendimento. A medida não barra apenas mulheres transgênero que realizaram a transição após o nascimento, mas exclui de forma definitiva atletas com hiperandrogenismo natural ou outras condições de DDS, a exemplo da bicampeã olímpica sul-africana Caster Semenya. A nova política elimina as antigas exigências baseadas no mero controle dos níveis de testosterona plasmática. Na prática, esportistas inaptas na triagem genética feminina terão como única via o redirecionamento para competir na categoria masculina, em eventos mistos ou em categorias abertas, dependendo exclusivamente do regulamento interno de cada modalidade.

A diretriz sofre dura oposição de entidades ligadas aos direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+. Organizações como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e o National Women’s Law Center classificaram a resolução como um retrocesso discriminatório. Essas entidades argumentam que a imposição de testes de DNA reforça estigmas e expõe mulheres a um escrutínio invasivo, afetando desproporcionalmente atletas de nações em desenvolvimento. Ativistas e parte da comunidade acadêmica sustentam que o desempenho esportivo é multifatorial, dependendo de genética, nutrição e investimento, criticando o determinismo biológico focado em um único gene. Por outro lado, associações de defesa do esporte feminino e alas conservadoras celebraram a aprovação, defendendo que a regra resgata a justiça desportiva, a segurança física em esportes de contato e a integridade competitiva para atletas cisgênero.

A padronização exigida pelo COI deve pressionar de imediato os comitês olímpicos nacionais e as confederações regionais a adotarem o mesmo critério científico para torneios de base e eventos pré-olímpicos, gerando um efeito dominó no esporte profissional global. A proximidade dos Jogos de Los Angeles 2028 sugere uma polarização ainda maior da pauta, abrindo margem para complexas batalhas judiciais movidas nos tribunais arbitrais internacionais do esporte. O cenário impulsiona o Comitê Olímpico a acelerar os debates logísticos e comerciais sobre a eventual oficialização de uma categoria universal aberta (open category), capaz de absorver os atletas que ficaram excluídos do sistema binário tradicional.

Supervisão Editorial: Jardel Cassimiro

Acompanhe também no SBS NEWS: #Teotônio Vilela #Alagoas #Brasil

✓ Padrão Editorial Verificado SBS NEWS (E-E-A-T • Google News)

Esta reportagem foi apurada, redigida e revisada seguindo as diretrizes de precisão factual, independência editorial e transparência do SBS NEWS, portal de referência em notícias de Teotônio Vilela, Alagoas e Brasil.

Jardel Cassimiro

Editor-Chefe e Revisor Editorial Responsável do portal SBS NEWS. Atua na cobertura em tempo real de Teotônio Vilela, Alagoas e Brasil, política, segurança pública, economia e fiscalização do poder público.

Ver todas as reportagens no SBS NEWS →

Leia Também no SBS NEWS

Mais em Internacional →