Alagoas

CNJ trava saque de R$ 331 milhões da massa falida de João Lyra em Alagoas

Corregedoria Nacional de Justiça investiga manobra no Judiciário alagoano que tentou substituir dinheiro em caixa por sucata industrial para beneficiar herdeiros e advogados.A Corregedoria...

CNJ trava saque de R$ 331 milhões da massa falida de João Lyra em Alagoas
  
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Corregedoria Nacional de Justiça investiga manobra no Judiciário alagoano que tentou substituir dinheiro em caixa por sucata industrial para beneficiar herdeiros e advogados.

A Corregedoria Nacional de Justiça instaurou uma investigação extraordinária e suspendeu imediatamente a liberação de mais de R$ 331 milhões destinados aos herdeiros e advogados do espólio do usineiro João Lyra. A ofensiva de Brasília mira uma manobra jurídica no Tribunal de Justiça de Alagoas que tentou esvaziar o caixa da Massa Falida da Laginha Agroindustrial, aceitando como garantia equipamentos deteriorados da Usina Guaxuma, descritos no processo como mera sucata industrial.

O embate gira em torno de um dos maiores e mais complexos processos de falência do setor sucroenergético do Nordeste, arrastando-se na 1ª Vara Cível de Coruripe desde 2008. O espólio do ex-deputado federal e ex-senador João José Pereira de Lyra, falecido em 2021, é alvo de intensa disputa por ativos bilionários. A recente decisão monocrática de um desembargador do tribunal alagoano, que autorizava o pagamento direto pela Secretaria da Corte e ignorava o juízo natural da execução de quase duas décadas, acendeu o alerta máximo no Conselho Nacional de Justiça.

A intervenção do ministro corregedor Mauro Campbell Marques, assinada em 24 de fevereiro de 2026, atingiu o coração de dois agravos de instrumento que tramitavam na corte estadual. A gravidade da situação, segundo o órgão de controle externo, reside na tentativa de substituir dinheiro vivo, pertencente à massa falida, por penhora de maquinário de difícil ou impossível liquidação. Diante do cenário de risco iminente, o CNJ determinou não apenas a suspensão cautelar total de qualquer levantamento de valores, mas também ordenou uma correição extraordinária imediata no gabinete do desembargador Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho e nas varas de origem, sob o comando das juízas Veridiana Oliveira de Lima e Nathália Silva Viana.

A substituição dos ativos financeiros por bens inservíveis colocaria em xeque o pagamento de centenas de credores preferenciais, especialmente os ex-funcionários do grupo que aguardam a quitação de seus direitos trabalhistas há 18 anos, além de gerar um impacto profundo nos cofres públicos devido aos créditos fiscais pendentes. A manobra jurídica barrada beneficiaria diretamente os herdeiros Maria Thereza, Antônio José, Ricardo e Guilherme Lyra, além de uma parcela dos advogados constituídos no processo, atropelando a consolidação definitiva do quadro geral de credores.

Pressionado pela ofensiva federal e pela repercussão do caso, o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Fábio José Bittencourt Araújo, precisou agir para conter a crise institucional. A presidência da Corte estadual instituiu um bloqueio interno, concedendo efeito suspensivo a um Recurso Especial e transferindo a palavra final sobre a disputa para o Superior Tribunal de Justiça. Os magistrados estaduais envolvidos nas decisões controversas agora respondem a um Pedido de Providências no CNJ, que tramita em sigilo absoluto, garantindo-se o devido processo legal e a presunção de inocência até a conclusão das investigações administrativas.

Os recursos permanecem congelados em uma conta judicial vinculada à Massa Falida da Laginha Agroindustrial S/A. A tendência é que a correição do CNJ provoque um escrutínio rigoroso e sem precedentes nos cálculos e na ordem de preferência dos credores do grupo, servindo de paradigma de integridade para outras falências de grande porte no país. O mercado, a sociedade alagoana e os trabalhadores aguardam agora a manifestação definitiva do STJ, que ditará o ritmo da liquidação dos ativos e garantirá a segurança jurídica na distribuição dos valores devidos.

Por Jardel Cassimiro

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Esta reportagem foi apurada seguindo as diretrizes de jornalismo investigativo do Tribuna SBS, priorizando fontes oficiais, dados públicos e comprovação factual sob o método E-E-A-T (Experiência, Especialidade, Autoridade e Confiabilidade).

Revisor Editorial Responsável: Jardel Cassimiro